Gente, esse é um post, em parte, direcionado. Eu sempre me interesso por esses livros com temática motivacional, que falam de cases e pessoas de sucesso, e tento tomar pra minha vida, essas histórias como referência.
Bem, qualquer pessoa contextualizada nos maiores clubs e baladas do Brasil, sabe quem é André Almada, o todo poderoso da marca The Week Internacional. Eu recebi essa entrevista dele, pra revista Joyce Pascowitch, de alguém que eu não lembro quem e também não lembro quando, mas fica aqui, registrado, o enorme agradecimento. Como a matéria está bem atemporal, tanto que nem data tem, achei digno disponibilizar pra todo mundo, até mesmo pra vermos que toda sequóia nasce de uma pequena semente.
Este é o André Almada:

Este é o site da The Week: http://www.theweek.com.br/2008/home.php
Esta é a Joyce Pascowitch:

Este sou eu na The Week SP:

Este sou eu na The Week Rio:

E esta é a entrevista, que você pode conferir direto na edição virtual da revista ou aqui:
André Almada - O rei da noite gay
Dono da The Week, André Almada incrementou a noite gay brasileira, seja no Rio, em São Paulo ou no verão em Florianópolis. O sucesso foi tanto que suas casas são hoje freqüentadas por todas as tribos: bem-nascidos, top models, descolados, jet setters, atores famosos – todos se jogam. Aqui, a história desse empresário de 35 anos que trabalhou pesado, mas chegou lá.
Por Renato Fernandes, do Rio de Janeiro Fotos Bruno Schultze
Verão de 1973. Araçatuba, interior de São Paulo. A bonita japonesa Sizue Iwamoto, aos 26 anos, dá entrada na Santa Casa de Misericórdia local, sozinha. Contrações. Dor. Suor e muita coragem. Meia-noite e quinze do dia 21 de fevereiro, de parto normal, nasce seu filho: saudável e perfeito com 3,2 quilos.
O pai do bebê não estava ao seu lado. Hamilton, um professor de educação física, boa pinta e musculoso. Eles se conheceram num baile: muito cheek to cheek e cinco meses de pura paixão. Hamilton, três anos mais novo do que ela, quando soube da gravidez, sumiu.
Filha de uma família tradicional de japoneses, que emigraram para Birigui, Sizue – aquariana legítima mil anos à frente – encarou: ia ter seu filho. Durante toda a gestação escondeu, com cintas, cada vez mais apertadas, a barriga da família. Engordou apenas 7 quilos, podia ter perdido o bebê. Muitas vezes, escondia as lágrimas, de dor.
No último mês foi para Araçatuba. Quando o filho nasceu é que os avós maternos souberam. Escândalo em Birigui! Proibida pelos pais de entrar em casa, foi morar na Creche Santa Clara de Assis, onde viveu por quatro meses. Quando o bebê começou a crescer, Sizue não poderia continuar mais lá. Os irmãos intervieram e ela voltou para casa – prato cheio para as fofoqueiras de Birigui.
Foi com o seu dom de costurar que educou seu filho, fazendo questão que ele estudasse em escolas particulares. Madrugadas no pedal da máquina de costura.
O menino, o anjo da família, nem quando pegava seus patins os deixava preocupados. Aos 14 anos, quando ele quis tirar o RG, não mais queria pai desconhecido em seus documentos. Conheceu então Hamilton que lhe deu o sobrenome, um abraço e mais nada.
Ralou, trabalhou desde cedo, duas ‘conduções’ para ser host de um restaurante chinês em Moema e estudou muito. Valeu. Hoje é um dos maiores empresários da noite paulistana. Cobertura nos jardins, colecionador de obras de arte, fins de semana em Nova York para ver os shows de Madonna ou musicais da Broadway. Isso é apenas um detalhe na vida desse homem de 35 anos que não pára. Aqui, um pouco da vida de André Luiz Rogério Iwamoto, que também é Almada, e o último detalhe: hoje, por falta de tempo, sempre que pode vai dar um beijo na mãe em Birigui. As fofoqueiras pagaram a língua, ou melhor, hoje fofocam ainda mais!
J.P: Você é o rei da noite gay?
André Almada: Não gosto de rótulo, sou um empreendedor da noite gay e da noite em geral. O meu negócio, o clube The Week, começou voltado ao público GLS, mas transcendeu esse título. Hoje tenho uma empresa, a W Eventos, que virou, acima de tudo, um espaço para a realização de eventos. Não digo que sou o rei da noite porque há outros clubes tão bons quanto o meu, mas o que posso dizer é que o clube The Week está entre os melhores do mundo. Digo com orgulho porque consegui transformar um galpão branco que não tinha nem porta, nem nada em um lugar que hoje abriga a maior noite GLS do mundo.
J.P: Da noite gay mundial?
AA: Sim, uma das maiores noites gays do mundo. Que casa no mundo recebe todos os sábados de 2.500 a 3.000 pessoas? Só um evento especial nos Estados Unidos, como o Labor Day, que tem de 2.500 a 3.000 pessoas. Isso tenho aqui todos os sábados.
J.P: Qual a diferença entre o poder hétero e gay?
AA: Por exemplo, você vai numa balada hétero, os homens têm de mostrar o carrão. Podem pagar um camarote de R$ 10 mil para fazer bonito para os amigos e as mulheres. Coisa que para o gay não importa.
J.P: O que é que o gay tem de mostrar?
AA: Que é descolado, bem relacionado, que tem dinheiro, mas isso ele vai ostentar de que forma? Com acessórios, como um relógio, óculos. O gay é mais preocupado com a vaidade.
J.P: O corpo para o gay vale mais que a carteira para o hétero?
AA: Sem dúvida. Sinto isso, desde que cheguei a São Paulo, em 1991.
J.P: O tamanho do pênis é fator primordial no meio gay?
AA: É, e as pessoas fora do meio não sabem disso. Mas é um fato que pesa sim. Tem certa importância, sim. Se você olhar dois caras nus, um com pinto pequeno e outro grande, eles vão preferir o maior. Já quando é um relacionamento amoroso isso não acontece.
J.P: Nas suas casas encontram-se desde milionários gays a michês, muitas vezes vestidos da mesma forma. Você sabe quem é quem?
AA: Sei identificar essas pessoas. Mas tem gente que você não dá nada, é low profile, mas acaba surpreendendo. As pessoas que são bacanas sempre acabam se apresentando iguais.
J.P: É como novela? Dentro da casa existem vários núcleos?
AA: Isso mesmo.Tanto é que eles acabam definindo alguns espaços. Na The Week de São Paulo, do meio para frente do deejay ficam os descamisados, as barbies. No Rio, já é mais heterogêneo: a mistura é muito maior entre a proporção hétero e gay.
J.P: E por que as mulheres pagam mais que os homens?
AA: Os clientes mesmos me obrigaram a tomar essa postura. Quando abri a casa em São Paulo, o preço era igual para os dois sexos. Aí o público gay masculino começou a me bombardear com e-mails reclamando que tinha muitas mulheres. Porque elas iam com as amigas ou amigos gays e viam aqueles homens lindos, todos musculosos e sarados e ficavam os incomodando na pista: “Nossa como você é lindo. Não acredito que você é gay”. Ficavam “alugando” os gays na pista. Aí tive de aumentar o valor para a mulher. É da mesma forma que é na boate hétero, que mulher não paga, paga menos para não ter tanto homem.
J.P: O que é ser vip para você?
AA: São aqueles que de alguma forma estão pessoalmente relacionados comigo ou com a casa. Porque é parceiro da casa, imprensa, um grupo de pessoas que agrega à casa, que vai trazer outros grupos. Não tem nada a ver com conta bancária.
J.P: Existe alguma diferença entre os vips do Rio e os de São Paulo?
AA: No Rio, eles não têm problema de gastar em bebida, mas não querem pagar para entrar. Isso é cultural, já percebi. Já em São Paulo, pagam para entrar e beber. Aqui o número de pagantes é muito maior. Não sei se, no Rio, não pagando, eles se sentem mais prestigiados ou mais importantes. Lá, tem uma coisa de querer se dar bem. ‘Consegui o meu vip’ é uma vitória.
J.P: Você comemorou seus 35 anos no Sirena, em Maresias. Quantas pessoas foram?
AA: Umas mil pessoas.
J.P: Quantos amigos de verdade você tem?
AA: Acho que meia dúzia desde 1991 e outros se agregaram, mas antes de abrir a casa em 2004. São os mesmos.
J.P: Você é desconfiado?
AA: Muito, muito desconfiado. Eu só não desconfio da minha mãe porque sou filho único. Nasci de um relacionamento da minha mãe sem ela ser casada. Então, ela, japonesa, 35 anos atrás, foi expulsa de casa, pelos meus avós.
J.P: Você é fruto de uma paixão de sua mãe?
AA: Exatamente. Conheci meu pai quando tinha 14 anos para tirar minha documentação, meu R.G., eu não queria tirar sem ter o nome do meu pai. Aí pedi que minha mãe ligasse para minha avó paterna e dissesse que eu gostaria de conhecê-la, porque queria que meu pai me registrasse.
J.P: E como foi?
AA: Quase desmoronei. Conheci meu pai e disse: “Olha, eu gostaria que o senhor me assumisse como filho, porque para mim é muito desconfortável tirar um documento e não ter o nome do meu pai”. Fomos ao cartório no dia seguinte e o Almada é dele. Aí comecei a conviver com meus avós e ele ia para Birigui de vez em quando porque morava em Mato Grosso do Sul, onde foi realmente casado com uma mulher com quem teve mais três filhos.
J.P: Como ficou o vínculo entre você e seu pai durante esses anos?
AA: Uma coisa fria. Ficou uma coisa de amigo: “Oi, tudo bem?”. Mas não existiu aquele amor de pai e filho. Não tive amor de pai, da proximidade dele, não posso dizer que eu o amava. Mas ele me registrou.
J.P: Mas teve o amor de sua mãe?
AA: Profundamente. Minha mãe é costureira, ela me criou na máquina e uma vez perguntei a ela: “Por que você não casa? Você é tão bonita... ter um companheiro...”. Já fazia 20 anos que tinha vindo para São Paulo e ela lá sozinha. Ela disse: “André, eu renunciei minha vida por você. E não me arrependo nem um minuto de ter renunciado”.
J.P: Recentemente passaram um e-mail para os jornalistas dizendo que estava sendo vendida uma bala branca (ecstasy) na boate do Rio. Ninguém publicou. Da onde surge isso? Existe um boicote dos concorrentes cariocas?
AA: Começou a haver um boicote. Existem alguns indícios de pessoas que plantam notas ou criam situações para desmoralizar a casa. Na realidade, nunca ninguém está satisfeito com nada. Mas no Rio é pior. Se um dia a boate não está muito cheia falam que está falindo, que está micando. Se estiver muito cheia, reclamam que o nível caiu.
J.P: Como é seu relacionamento com os concorrentes?
AA: Nenhum problema. Mas eu digo o seguinte: concorrência é concorrência. A partir do momento que tem um concorrente que quer “roubar” o público da minha casa, não posso sorrir para ele. Existe uma disputa.
J.P: É uma disputa saudável?
AA: Nenhuma concorrência é saudável; é para o público, para o dono do negócio, não. A concorrência faz você trazer um diferencial. Mas em termos de negócio não existe concorrência saudável.
J.P: Quantos sócios tem a casa?
AA: Apenas eu e o Klaus Ebone. Costumo dizer que sou o coração e ele o cérebro. Tudo teve início quando começamos a fazer festa juntos. Ele tinha o expertise de 20 anos na noite hétero.
J.P: Existe um boato que o Gugu Liberato seria um dos sócios que não aparece...
AA: Não, Gugu foi sócio do Klaus numa casa chamada Fábrica 5, que também tinha o Miguel Falabella como parceiro. Hoje, em negócios, Klaus é meu sócio, meio a meio, e onde nós formos a gente busca um sócio local, como no Rio, que é o dono do imóvel. O ativo todo ali é nosso. Toda a marca, a expertise de administrar e fazer a coisa girar é nossa. Ele fica com o prédio e as benfeitorias que fizemos, não participa da marca, só da operação. Ele tem percentual. Então, de todos os negócios que são gerados pela marca, ele não participa, mas sim de todas as benfeitorias que foram feitas lá, que era um prédio caindo aos pedaços. Toda a parte de iluminação e de som é nossa. Florianópolis é a mesma coisa.
J.P: Quando você anda pela The Week sempre tem um séquito caminhando ao seu lado. Já teve gente na sua cama pelo empresário e não pela pessoa?
AA: As pessoas com quem eu fico, tento imaginar que não é por causa do empresário, porque senão não consigo ficar com ninguém, não consigo me relacionar por mais de uma noite, digamos assim. Sexo por sexo, até rolaria. Mas não para um companheiro, um compromisso. Essas coisas a gente sente.
J.P: Você tira de letra ou se machuca?
AA: Tiro de letra. Mas já me machuquei pela profissão, pela vida agitada, por meu ritmo de vida ter estragado um relacionamento com uma pessoa que amei, um relacionamento muito bacana, que poderia ter dado muito certo, não fosse o tipo de trabalho que tenho. Poderia ter poupado meu parceiro, ter mais tempo para o relacionamento, mas me dediquei 100% ao meu negócio.
J.P: Então, desde que você tem a boate The Week você não tem um namoro estável?
AA: Tentei, mas acabaram pelo meu ritmo de vida.
J.P: Aos 35 anos, quantos amores teve na vida?
AA: Tive três grandes amores, de me envolver, de me apaixonar...
J.P: Você sempre transou homem ou também teve experiências com mulher?
AA: Sempre transei homem, mas fico preocupado em falar a respeito por conta da minha mãe. Ela não sabe... Fico um pouco preocupado em falar disso, por ela.
J.P: Você acredita que a homossexualidade é uma opção?
AA: Não, não é uma opção. Você nasce com isso ou desenvolve ao longo da vida. Eu me descobri aos 7 anos. Não existe isso de opção.
J.P: Se você pudesse optar, optaria por isso?
AA: Optaria. Estou feliz.
J.P: Você acha que a mídia mostra a realidade dos gays?
AA: Não, não. É totalmente equivocada. Tudo o que aparece na mídia sobre os gays é errado. Acho mais: é sensacionalista. A imprensa numa Parada Gay mostra apenas as pessoas travestidas e estereotipadas. A vida do gay é como qualquer outra, ele acorda cedo, tem de trabalhar, contas a pagar, cumpre as mesmas responsabilidades que qualquer ser humano Ele é mais alegre? Não. Isso é um estado de espírito de qualquer pessoa. O que o gay tem é mais liberdade para ele mesmo, isso ele tem.
J.P: Solidão também?
AA: Também, mas que ele compensa isso de outra forma, com amigos. Mas isso é muito relativo.
J.P: Você tem seus momentos de solidão?
AA: Por incrível que pareça, como conseqüência do meu trabalho, eu quero ficar só. Os momentos que tenho para mim, quero ficar só, mas não consigo. Os momentos de tempo livre eu quero ficar comigo, mais introspectivo, curtir a minha casa, ir a lugares em que não conheça ninguém. Quero ter meus momentos anônimos, de entrar num lugar e sair sem cumprimentar ninguém. Tem momentos que eu não quero socializar, porque eu já socializo muito.
J.P: No amor você é tradicional? Fazer sexo a três acontece?
AA: Nem pensar. Se um dia eu pensar em fazer isso, não tenho mais namorado, aí o relacionamento já acabou. Vira amigo.
J.P: A que horas você acorda?
AA: Às 9h30 e, infelizmente, durmo com os dois celulares ligados. É trabalho o tempo todo, 24 horas. Fico com medo que aconteça alguma coisa. Casei com meu trabalho, por isso é que meus relacionamentos foram muito desastrosos e agora quero me policiar.
J.P: Quando você começou a ganhar dinheiro?
AA: Nas primeiras festas chamadas Toy. Klaus havia me chamado para fazer uma noite e disse que queria fazer uma festa, num lugar inusitado, uma coisa nova, numa locação, com conceito, não num lugar que já tinha um estilo, um vício, um ranço. Queria tudo novo. E achamos um lugar. E aí começou.
J.P: Vocês nunca tiveram uma crise?
AA: Não. Tivemos duas vezes por bobagem. Assim como em relacionamentos amorosos, tem no trabalho, mas eu só tive duas discussões, assim de gritar. Sou muito tranqüilo, para me tirar do sério demora, mas, às vezes, eu tenho esse curto-circuito. É raro, mas já saí quebrando tudo. Estávamos fazendo uma reunião, num dia cheio de problemas, que saí, peguei tudo o que estava em cima da mesa, quebrei, joguei tudo e saí chutando a porta por várias vezes e quebrei. Fiz todo o show e aí eu disse: “Vamos continuar a reunião?”.
J.P: É verdade que a primeira coisa que você fez, quando começou a ganhar dinheiro, foi comprar uma casa para sua mãe?
AA: Foi. A primeira coisa que fiz foi comprar a casa da minha avó, onde minha mãe e meus tios moravam. Ela já era uma senhora, fiz questão de comprar primeiro a dela. Quando ganhei meu primeiro dinheiro, comprei a casa da minha mãe e quis dar a ela uma velhice tranqüila. Não queria que ela morasse de favor na casa de ninguém. Agora comprei uma nova casa para ela, zero bala. Só depois de comprar a casa dela é que comprei a minha.
J.P: Você chegou a São Paulo em 1990 e dividia um quarto com o Reynaldo Gianecchini. É isso?
AA: Todos de Birigui que haviam passado no vestibular alugaram um apartamento do lado da PUC. Eu estudava hotelaria no Senac e o Reynaldo direito na PUC e tinha outros estudantes, mas na divisão ficamos eu e o Reynaldo dividindo o mesmo quarto.
J.P: Quanto tempo?
AA: Dois anos e meio foi o tempo que meu curso durou e depois fui morar em Ubatuba no Hotel Recanto das Toninhas, projetado pelo falecido Cláudio Bernardes.
J.P: Dividindo o quarto com Reynaldo durante dois anos e meio, você não passava mal?
AA: Passava, mas quem não passaria? Mas vejo o Gianecchini como meu amigo.
J.P: Você é a favor de beijos entre gays em praças públicas em frente à igreja?
AA: Não. Isso não leva a nada. Os gays não têm de se impor por esse tipo de manifestação. A forma de se impor e a maneira de os gays conquistarem o respeito que merecem é fazendo o bem, coisas que engrandeçam. Os gays estão em todas as áreas e em todos os lugares... Você tem de conquistar o respeito por esses meios. Pelo que é, pelo que representa na sociedade.
J.P: Você é a favor da união estável entre os gays?
AA: Sou a favor de direitos iguais. Se construíram coisas juntos e os esforços foram iguais, acho que tem de ser dividido, isso para a relação heterossexual vale, para a homossexual, não. Às vezes, um casal gay construiu e, de repente, um falece e a família vem e toma tudo que os dois construíram juntos. Mas sou a favor da união entre as pessoas do mesmo sexo.
J.P: Você já demonstrou ser um homem romântico. O que você busca?
AA: Companheirismo. Ter alguém em que confie e com quem possa dividir. Estou numa fase da vida que gostaria de dividir meu sucesso, minhas conquistas e não importa se a pessoa tem dinheiro ou não. O importante é ter a sinceridade e o prazer de dividir isso. Ricardo Trevisan, um amigo meu da Galeria Casa Triângulo, disse: “Quem tem mais dá para quem tem menos”. Hoje, se eu pudesse ter uma relação de igual para igual seria maravilhoso, mas se existir uma diferença socioeconômica e eu puder proporcionar momentos bacanas à pessoa que eu gosto e sentir que é recíproco, que ela gosta de mim... É isso que quero. Às vezes deixo de viajar, deixo de fazer programas por falta de um companheiro.
J.P: Qual seu estilo de homem?
AA: Acho que estou numa fase mais jovem. Antigamente gostava de mais velhos. Agora estou curtindo uns de 28 até 32 anos.
J.P: Você já ficou muito duro?
AA: Ah, já. Quando vim para cá, minha tia pagava minha faculdade, minha mãe me mandava um dinheiro para eu comer e pagar meu aluguel. E aí para ter um pouco mais de grana, eu trabalhava num restaurante chinês chamado Golden Fish, em Moema, e consegui ser host. Então, fui recepcionista de restaurante durante dois anos. Pegava dois ônibus. Quem pagou meu curso de inglês na Alumni foi Emilia Sanchez, tia de um amigo meu. E ela não me conhecia, mas se colocou à disposição. Sou muito grato a ela. Durante todos os dias estudava de manhã, fazia duas horas na Alumni à tarde e nos fins de semana trabalhava no restaurante.
J.P: Você tem medo da velhice?
AA: Não, da velhice não, mas de depender de alguém, sim.
J.P: Você tem medo de ficar duro novamente?
AA: Não. Posso começar do zero, como já comecei. Acredito muito no poder da mente, tudo o que quero, imagino e coloco na cabeça. O segredo é focar. Não penso bobagens. Não penso se... Penso que vai dar certo.
J.P: A união de droga e música eletrônica é um fato. Você já viu pessoas que no início eram bonitas e que hoje não são mais?
AA: Eles estão acabados, envelhecidos. Em quatro anos, pessoas que eram lindas hoje estão horríveis. Pessoas de 28 anos que parecem bem mais velhas. De exagero, de excesso, de não dormir, de beber, de drogas. Acho isso triste.
J.P: A The Week acaba de fazer uma pesquisa entre seus clientes, que começa dos 20 e poucos e termina nos 46 anos. Por que isso?
AA: A gente vai ficando mais velho e nossa cabeça vai mudando.Um homem com 46 anos já quer outro tipo de programa, viajar no fim de semana. Hoje em dia tenho vontade de adotar uma criança, porque eu acho importante dar continuidade à família. Se eu morrer, acaba aqui. Tudo acaba. E eu adoraria passar para a frente a lição que a vida me deu, o que eu aprendi, as coisas boas e ruins para esse filho ou filha não fazer. Dar o melhor para essa pessoa.
J.P: E para quando?
AA: Eu só teria esse filho a partir do momento que saísse um pouco da noite. Eu tenho planos para ficar mais dez anos. Até uns 45 anos acho que agüento. Mas fico pensando no que diversificar quanto a negócios. Acho que existe um tempo, para ficar na noite. Ela cansa muito.